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Terapia ajudará Natascha a recuperar a auto-estima e a confiança nos outros

 

Por Maria João Caetano

DIÁRIO NOTÍCIAS Nº 26 Agosto 2006

 
 
Depois de oito anos vivendo como refém numa cave e tendo como única companhia o seu raptor, Natascha Kampusch será, muito provavelmente, uma jovem sem auto-estima, com pouca autonomia e dificuldades na socialização. Além de atrasos na educação, a experiência ter-lhe-á deixado marcas irreperáveis a nível emocional. O acompanhamento psicológico é uma obrigatoriedade. “Não há prescrições para a vida, mas não podemos esperar milagres. Com ajuda, poderá chegar a uma situação de equilíbrio. Se não for acompanhada, poderá nunca ser feliz”, explica ao DN o psicoterapeuta Vasco Catarino Soares.

Apesar de apenas conhecer o caso austríaco pelo que leu nos jornais, este especialista acredita que um dos principais problemas de Natascha, hoje com 18 anos, será a capacidade para tomar decisões: “Deve estar sempre à espera que lhe digam o que fazer e, sobretudo, o que não pode fazer.” Durante este tempo ouviu muitas vezes a palavra não: não grites, não faças barulho, não podes sair. Agora, um dos primeiros passos para reaprender a viver será promover o amor-próprio e a sua iniciativa. “Dar valor ao que ela faz.”

Os tetes de ADN confirmaram já que a jovem encontrada na quarta-feira é de facto Natascha Kampusch. Segundo a imprensa austríaca, ao recordar o dia em que foi raptada, Natascha contou que Priklopil a forçou a entrar na sua carrinha e lhe disse: “Fica quieta e deita-te ou vai acontecer-te alguma coisa.” Depois, levou-a para sua casa, a 16 quilómetros dali, e obrigou-a a tratá-lo por “mau amo e senhor”. A polícia ainda não revelou se a jovem manteve relações sexuais com Wolfgang Priklopil, actualmente com 44 anos. Em caso afirmativo, trata-se obviamente de abuso. Mais um problema a ser resolvido em sessões de terapia: “Ela terá uma visão destorcida da sexualidade, aprendeu que as relações funcionam com um elemento mais fraco e outro subjugador”, alerta Vasco Soares. Além disso, é sabido que “uma vez na situação de vítima há grandes possibilidades de passar a abusador”.

A agente policial que recolheu o primeiro testemunho de Natascha confessou ter ficado impressionada com “a inteligência e o vocabulário” da jovem. Parece que Priklopil se esforçou por lhe dar alguma educação. Mas os problemas não se ficam por aí. Durante oito anos, todas as trocas afectivas de Natascha foram com este homem. Situação que se agrava por se tratar do período da adolescência. “É uma etapa crucial no desenvolvimento”, comenta o psicoterapeuta. “Terá de reaprender a relacionar-se com outras pessoas e a confiar nelas. Tem de ultrapassar o receio e a desconfiança mas dificilmente será uma pessoa muito sociável”, diz Vasco Soares.

À polícia a jovem terá dito que aquele homem, que os vizinhos descrevem como “calmo e educado, se não mesmo eremita”, sempre se mostrou “muito simpático”. A síndrome de Estocolmo caracteriza-se, precisamente, por esta afeição que o refém desenvolve para com o seu captor. “Numa situação de cativeiro o que está na mente das pessoas é o perigo máximo, a morte. Se isso não acontece e são, de alguma forma, bem tratadas, sentem-se quase agradecidas”, explica o psicoterapeuta Vasco Soares. “Claro que se analisassem a questão racionalmente veriam o contrário. Mas nestas situações não há qualquer lógica. As pessoas acabam por achar que tiveram sorte.

 
 
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