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| Perturbações
obsessivo-compulsivas |
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Todos
temos manias, superstições e pequenos
rituais. Porém, estar sempre a lavar
ou a desinfectar objectos, conferir mais do
que uma ou duas vezes se a porta da rua está
fechada ou o gás está fechado,
endireitar o tapete de casa sempre que alguém
passa, colocar os sapatos sempre da mesma forma
e ficar muito incomodado quando isso não
acontece revela que algo pode não estar
bem. |
Por
Andreia Vicente
CLICK
IN Nº 14 de Setembro 2005
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Consultoria
Técnica INSIGHT-Psicologia |
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As
perturbações obsessivo-compulsivas
(POC) afectam entre 1.5 a 2.5% da população
mundial. Não é verdadeiramente
considerada uma doença, mas sim uma perturbação
emocional e comportamental, que surge em alguns
tipos de personalidade. Em pessoas que tenham
propensão à autocupabilização
exagerada ou que tendem para pensamentos mágicos,
afastados da realidade – do tipo - «se
calçar primeiro o pé direito vou
ter um bom dia e se calçar o esquerdo
vou ter azar» -, estas perturbações
vão surgindo lentamente e aumentado progressivamente.
Segundo a Organização Mundial
de Saúde (OMS), quando estes rituais
ocupam pelo menos uma hora por dia já
se pode falar em POC. O carácter repetitivo
de comportamentos, ideias e verificações
impede estas pessoas de terem um quotidiano
normal, reflectindo-se e degradando as relações.
Os outros começam a reparar nessas «manias»,
a vê-las como esquisitices e a acreditar
que a pessoa faz de propósito, não
se apercebendo que para o indivíduo se
torna inevitável agir desse modo. |
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Sintomas
mais comuns |
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Lavar as mãos com sabão, sabonete,
desinfectante, álcool, várias
vezes por dia, evitando pegar ou tocar em objectos
que tenham ou possam ter sido tocados por pessoas
com doenças, ou ter caído no chão
(medo exagerado de infecções e
doenças);
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Verificar várias vezes se os aparelhos
eléctricos estão desligados ou
se portas, janelas e bicos do fogão estão
fechados, mesmo quando essa verificação
acabou de ser feita;
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Pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes
e persistentes que causam sofrimento e ansiedade.
Daí surgirem os rituais compulsivos,
que ocupam espaço mental para evitar
tais pensamentos angustiantes;
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Ocupar muito tempo na realização
de tarefas comuns, devido às repetições
e confirmações exageradas, que
serve para ocupar espaço mental, fugindo
assim aos pensamentos recorrentes e indesejáveis.
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Tratamentos
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A
Psicoterapia explora as razões de ordem
emocional que causam a perturbação.
Tem como objectivo devolver ao indivíduo
a capacidade de se reconstruir de modo saudável.
É um processo terapêutico profundo
e relativamente demorado. Todavia, com resultados
mais consistentes.
A terapêutica com medicamentos anula os
sintomas por substituição ou compensação
neuro-química-cerebral. No entanto, não
trata as razões emocionais, permanecendo,
essas, intactas e prontas a actuar assim que
termina a acção do medicamento,
colocando os indivíduos na dependência.
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Testemunho
Nuno
Cavaco: 30 anos |
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Como
começou a repara que os seus rituais
passaram a ser obsessivos?
Desde a minha adolescência que reparo
que tenho hábitos não muito «normais»,
nunca os partilhando com ninguém e fui
reparando na sua regularidade. Mas só
descobri que esses rituais eram de algum modo
obsessivos quando tive a minha primeira crise
de depressão e ataque de pânico
mais grave em Novembro de 2002.
Qual
é a sua obsessão mais compulsiva?
Tenho várias, mas acho que a maior é
a que envolve o número três ou
33 ou 333. Em coisas muito simples do dia-a-dia
tenho sempre de fazer três vezes: fechar
a luz à noite, acender o cigarro, a últimas
três passas do cigarro têm de ser
seguidas, confirmar se não me esqueci
de nada em casa, ligar a mota, cargas de telemóvel
de 3,33 ou transferências bancárias
de 33 Euros ou 333.33 Euros ou ainda se beber
uma cerveja (o que raramente faço devido
aos medicamentos) tenho sempre de beber três.
Quanto
tempo por dia gasta a fazer esses rituais?
Se contabilizar em minutos, o que nunca fiz,
poderá chegar a uma ou duas horas.
Como
e quando decidiu procurar ajuda técnica
(psicologia, medicina, outras)?
Quando tive a minha primeira crise de pânico
num restaurante com muita gente. Pensei que
ia enlouquecer. Aliás, até cheguei
a despedir-me da minha namorada. Fui de urgência
para o hospital e fiquei internado. A partir
daí comecei a consultar um psiquiatra.
Qual
foi a pior situação pela qual
passou devido a este problema?
A que descrevi anteriormente e a depressão
que veio depois. Durante dois anos a minha vida
era trabalho, casa, cama e dormir. Não
atendia telefones e não falei com os
meus amigos durante anos. Alguns que ainda insistiam
telefonavam à minha mãe ou à
minha namorada, mas eu nunca atendia, dizia
sempre que estava a dormir. Sempre adorei praia
mas estive dois anos sem lá ir. Engordei
30 quilos em dois anos.
Sente-se
uma pessoa doente?
Quando tenho crises de depressão e ataques
de pânico sim, mas quando isto passa deixo
de me sentir doente. Tenho consciência
de que há pessoas a sofrerem mais do
que eu e outras menos, mas de modo algum me
faço de vítima. Nem posso, tenho
um filho de 17 meses que adoro, tenho mãe
e pai e ainda alguns avós, uma esposa
que amo e amigos, não passo fome e tenho
uma casa onde viver… Sinto-me muito mais uma
pessoa com sorte do que doente. |
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