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Os
Ódios de Estimação em Portugal |
Paulo
Portas já foi agredido à porta
de casa, Pinto da Costa apedrejado num estádio
e Manuela Moura Guedes perseguida por um homem
com um cão. Do jornalismo ao futebol,
passando pela política e pelas forças
de segurança, saiba quem são as
personalidades mais detestadas e como lidam
com o ódio. Conheça as causas,
os efeitos e os casos clínicos. |
Por:
Raquel Lito
SÁBADO
Nº 211 de 15 Maio 2008 |
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Já
recebeu cartas com ameaças de morte.
Foi insultada, perseguida, quase atacada por
uma multidão. E se tiver de correr mais
riscos, paciência – tudo isto faz
parte do jornalismo “incómodo”,
diz. Mas um ódio em especial marcou-a,
sobretudo pela persistência. Durante um
dia inteiro, para onde quer que fosse, lá
estava o mesmo homem de 30 e tal anos, “aparentemente
civilizado”, a fixá-la nos olhos
sempre ao lado de um cão de grande porte.
O grand danois aterrorizava mais do que qualquer
ameaça verbal, acompanhando-o na perseguição
à jornalista até aos antigos estúdios
da RTP, no Lumiar, em Lisboa. Nessa altura,
Manuela Moura Guedes já tinha a fama
se rottwailer da informação e
sentiu pela primeira vez a ira de um espectador.
Apavorada, pediu ajuda. “Avisei os seguranças,
mas ele ficou lá fora”, conta à
SABADO. O homem não saía do local,
à espera de a ver novamente. Acabou de
ter de ser escoltada pelos seguranças
até ao carro – a única vez
em toda a carreira. Mesmo assim, ele não
desistiu: “Tentou impedir-me de sair as
RTP.” Só quando os seguranças
chamaram a polícia é que a situação
ficou controlada. “Pediram-lhe a identificação,
mas não tinha. Levaram-no para a esquadra,
e eu arranquei.”
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Todos estes anos depois, ainda está por
esclarecer o ódio deste homem por Manuela
Moura Guedes, 51 anos. “Graças
a deus não soube mais nada dele”,
diz. Geralmente são os homens que mais
a detestam por motivos de sexismo, diz
o psicólogo Vasco Soares. |
O
regresso de Manuela Moura Guedes ao jornal nacional
na passada sexta-feira, 9 (depois de um longo
afastamento, desde 16 de Dezembro de 2005),
fez reaparecer alguns ódios – e
também disparar o índice de popularidade.
Nessa noite, o seu noticiário foi o mais
visto do horário nobre, com 1,193 milhões
de espectadores (mais 18% do que na sexta-feira
anterior e 38% na semana que antecedeu). Mas
assim que a pivô anunciou o novo formato,
dias antes da estreia, voltaram as mensagens
anónimas cifradas, que há anos
caem na sua caixa de correio electrónico.
São tantas, e tão enigmáticas,
que as guarda “para uma eventualidade!”. |
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ESCREVEM
CARTAS ANÓNIMAS A DIZER QUE ME QUEREM
MATAR”, DIZ MANUELA MOURA GUEDES |
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A
experiência e as inúmeras ameaças
de que já foi alvo ensinaram-na a ignorar
quem a odeia. “Fazem muitas queixas de
mim porque encaro o meu trabalho como “doa
a quem doer”.” E dói mais
àqueles que acusa de serem “racistas”.
Sempre que apresenta uma reportagem sobre minorias
étnicas já sabe a reacção.
“Escrevem cartas anónimas a dizer
que me querem matar. Nem faço queixa,
porque quem quer fazer mal não ameaça.”
Outros, sem motivo aparente, ligam-lhe de forma
anónima para casa, durante a madrugada.
“ Um dia disse à pessoa que ia
descobrir quem era, através da polícia.
Ficou aflita.” |
MANUELA
MOURA GUEDES desperta tantos ódios que
alguns chegam a ser patológicos. Um deles
foi diagnosticado a tempo pelo psicanalista
Carlos Amaral Dias: “Psicose Esquizofrénica”,
disse ao paciente, perante as reacções
estranhas que relatou nas consultas semanais.
“Fazia um filme mental à volta
da pivô, chegou a pensar persegui-la”,
explica o especialista. Se a jornalista dava
um sorriso para as câmaras, estava a gozar
com ele; se fazia um gesto, estava a insinuar
qualquer coisa. A sua mania da perseguição
exigiu um tratamento de quatro anos. “Está
curado”. |
Com
mais ou menos fair play, muitos afastam-se da
jornalista. Os políticos evitam ser entrevistados
por ela (“Santana Lopes não quis”,
garante), os colegas olham-na com desconfiança
e uma fracção do público
não tolera a forma como apresenta o noticiário.
Há até quem a deteste por razões
clubísticas, quando anunciou várias
irregularidades no Sporting, numa reportagem
para a RTP nos anos 80. Os adeptos não
perdoaram e, ao reconhecerem-na numa rua próxima
do estádio de Alvalade, correram na sua
direcção. “Tentaram abanar
o meu carro, mas escapei.” |
O
ódio é inato no ser humano e até
freudiano – o complexo de Édipo
parte deste sentimento pelo pai. Numa primeira
fase, pode desencadear várias reacções
fisiológicas: aumento do ritmo cardíaco,
suores frios, irritação, dores
de cabeça. Os mais reprimidos”transmitem
essa carga emocional para o corpo”, diz
Vasco Soares. E aí surgem
doenças como problemas cardíacos
ou até cancerígenos. Numa fase
posterior (segundos, horas ou semanas depois
dos primeiros efeitos), aparecem as respostas
violentas “típicas nas pessoas
com poucas capacidades de controlo emocional”,
explica o mesmo
psicólogo. Podem ser
violência física, perseguição
ou até suicídio. |
Aproximadamente
20% dos pacientes de Vasco
Soares apresentam queixas de
ódio. E a tendência é para
subir, alerta a colega Beatriz Luna Pais, cada
vez com mais casos clínicos. Alguns começam
com depressões profundas, que traduzem
estados emocionais extremamente graves. “Tenho
um paciente que foi despromovido e ódeia
o actual chefe, e acusa-o de o tratar com prepotência”,
diz Beatriz Luna Pais. Quando chegou ao consultório,
há seis meses, estava à beira
do suicídio, frustrado com a situação
profissional. Tinham-lhe cortado as viagens
para o estrangeiro, a sua única regalia.
Mas com psiquiatria e psicoterapia (toma agora
antidepressivos) melhorou bastante. |
VASCO
PULIDO VALENTE, 66 anos, é um pessimista
assumido e voltou agora à televisão
com a rubrica Glória da Semana, apresentada
por Manuela Moura Guedes no fim do novo Jornal
Nacional. Más noticias para uns, péssimas
para outros, já que o colunista adora
utilizar o sarcasmo e não tem problemas
em criar inimigos. Ainda há três
semanas parece ter arranjado mais um, o advogado
Pedro Reis. Ao cruzarem-se no restaurante Gambrinus,
em Lisboa, Pedro Reis cumprimentou-o perante
uma sala cheia: “Olá, Vasco, como
estás?” Nada. “Estás
surdo ou quê?” Nada. Perante o silêncio
absoluto, o advogado, que pratica boxe, respondeu:
“És um parvalhão. Anda cá!”
Nenhum deles de mostrou disponível para
prestar declarações à SABADO. |
Há
seis meses, Vasco Pulido Valente analisou o
segundo romance de Miguel Sousa Tavares, Rio
das Flores, num artigo demolidor no Público.
“Vale pouco ou nada como romance histórico,
é pobre e vulgar como romance de família”,
escreveu, dias depois de se ter cruzado com
o romancista também no restaurante Gambrinus.
Sozinho a uma mesa, chamou Sousa Tavares para
lhe apontar 20 falhas históricas do livro,
mas o autor reagiu mal (uma velha guerra, que
vem desde os tempos do primeiro romance, Equador):
“Tu és parvo ou quê? Tem
é juízo!” Desde então
assumiram publicamente um ódio mútuo,
com troca de recados na imprensa. |
| É
raro Vasco Pulido Valente dizer bem de alguém
e até os que o admiram, como Manuel Alegre.
Já foram atingidos. “Há
20 anos criticou-me e eu respondi num artigo
de opinião a dizer que lhe dava umas
bengaladas, como Eça. Durante um mês,
andou a perguntar aos amigos se era metáfora
ou verdade. Disseram-lhe que era verdade e ele
ficou preocupado”, conta o deputado do
PS. |
| Já
disse mal de Cavaco Silva, Clara Ferreira Alves,
Manuel Maria Carrilho, Francisco Pinto Balsemão...
A lista é interminável. Segundo
fontes próximas, Pulido Valente leva
uma vida solitária e não se incomoda
com os comentários. Ao contrário
dos outros colunistas, não levanta obstáculos
a que o jornal Público, onde tem uma
crónica fixa, publique as cartas de protesto
contra os seus textos, que estão entre
os mais lidos do jornal. |
O
COMENTADOR DESPORTIVO Rui Santos, da SIC Notícias,
também está entre os mais ódiados
– e amados. Tem milhares de adeptos que
o detestam, mas o seu programa Tempo Extra,
aos domingos à noite, é um sucesso
de audiências. Anos antes de tentativa
de agressão no parque de estacionamento
da SIC, em finais de Fevereiro, sofreu outra
bastante mais grave. À saída de
um jogo do estádio do Portimonense, os
adeptos cercaram-no. Puxaram-lhe a camisa, arrancaram-lhe
um fio de ouro e deram-lhe com um guarda-chuva.
Eram sete contra um: “Juntou-se um magote
de gente, agrediram-me e insultaram-me”,
diz à SABADO. Os adeptos do Portimonense
não se conformavam com as derrotas sucessivas,
culpando a arbitragem e os repórteres
de Lisboa. O desfecho poderia ter sido trágico,
se o treinador da equipa, Artur Jorge, não
o tivesse puxado para a cabine.
A reportagem saiu, mas a partir da década
de 80 Rui Santos tornou-se indesejável
nos clubes, sem excepção. No PC
Porto escreviam comunicados contra ele e o jornal
do Sporting foi mais longe: publicou uma fotografia
sua na última página a exigir
que lhe tirassem o título profissional.
Era impedido de entrar em quase todos os estádios.
Quando acompanhou uma digressão de fim
de época do Farense a Cabo Verde, Rui
Santos decidiu relatar aquilo que vira. “O
clima era muito mau.” Os dirigentes do
Farense não gostaram e acabaram por reagir.
“Lembro-me de estar a dar a última
nota de reportagem ao telefone e aparecer o
chefe do departamento de futebol a ameaçar
que me batia.” Só não foi
mais longe porque a jornalista lhe terá
respondido que podia “sair-se mal”
da história.
Aos 47 anos, Rui Santos colecciona tantos inimigos
como crónicas corrosivas. É odiado
no jornal A Bola, onde trabalhou 26 anos e onde
o acusam de ter tiques prepotentes e de ser
conflituoso. O próprio assume que teve
uma liderança “muito afirmativa”
quando foi chefe de redacção.
O clima tornou-se insustentável e saiu
em finais de 2002.
Entre os mais temperamentais, o ódio
pode ser fatal, uma vez que triplica o risco
de enfarte, alerta um estudo de 2000 da Universidade
da Carolina do Norte, nos EUA, que analisou
o ritmo cardíaco de 13 mil pessoas com
e sem acessos de raiva.
Se prejudica a saúde, não deixe
de ser um óptimo filão de notícias.
Paulo Portas, 45 anos, seguiu à risca
esta velha máxima: “Bad news are
good news” (as más notícias
são boa notícias). Enquanto dirigiu
O Independente , de 1988 a 1995, não
havia manchete que não fosse polémica,
nem edição que não batesse
no PSD. Um dia, sofreu as consequências.
Ao chegar à antiga casa, num prédio
de esquina próximo de São Bento,
encontrou um homem de 20 e poucos anos, furioso.
“O meu irmão tocou à porta
e deu-lhe um par de bofetadas”, conta
à SABADO o advogado Salvador Vaz da Silva. |
De
amigos de infância passaram a “ódio
de estimação”, por causa
de uma “notícia caluniosa”
publicada em meados de 1990, diz o advogado,
sobre a sua mãe, ex-directora do Centro
Nacional da Cultura, Helena Vaz da Silva, entretanto
já falecida. “O Paulo ficou bastante
assustado, começou a pedir boleia aos
colegas”, conta uma fonte.
Os ódios eram tantos que Portas adoptou
medidas de segurança. Raramente aparecia
em público, vivia fechado na redacção
e nos dias de férias não desligava.
“Desenhava a primeira página e
enviava-a por fax”, diz a mesma fonte.
Miguel Esteves Cardoso, director adjunto, diz
que não conhece ninguém com tantos
inimigos mas gaba-lhe a coragem. “Era
destemido, não pedia desculpas off the
record.” As ameaças “à
portuguesa”, por interpostas pessoas,
ou enviadas por correio, não o amedrontavam.
Portas não esteve disponível para
falar com a SÁBADO.
A psicóloga Beatriz Luna Pais defende
que figuras públicas controversas ou
odiadas deviam fazer uma introspeccção.
“Podem ir atenuando aspectos do carácter
que aborrecem as pessoas”, explica. Mas,
na maioria dos casos, os alvos desta antipatia
limitam-se a pensar que são perseguidos.
É o que faz Jorge Nuno Pinto da Costa.
A guerra do futebol Norte-Sul, que o dirigente
de 70 anos sempre incentivou, deu origem a uma
série de ódios. Em meados dos
anos 90, foi recebido no Estádio da Luz
com uma chuva de laranjas quando as posições
contra o Benfica estavam extremadas. Para defender
os jogadores, o presidente do F.C. Porto avançou,
a rir-se, chamando para si as atenções.
No fim do jogo, disse aos jornalistas apreciar
laranjas, especialmente as de Setúbal.
No mundo do futebol não há meio
termo. Ou se ama ou se odeia. E Pinto da Costa
não é só ridicularizado:
é agredido a sério. Em finais
dos anos 80 foi apedrejado à porta do
estádio do Portimonense. “Viemos
a correr até à camioneta, mas
o Pinto da Costa ficou para trás”,
conta Isabel Monteiro, que lhe foi tratando
a ferida na testa no caminho até ao hospital,
onde levou quatro pontos. “Ele só
me dizia: “O que interessa é que
ganhámos.” |
O
SEU NOME CONTINUA a suscitar ódios. Mais
ainda com o processo Apito Dourado, com a recente
suspensão por dois anos e uma multa de
10 mil euros ou com as denúncias da ex-namorada,
Carolina Salgado. As duas irmãs do dirigente
evitam ver certas revistas. “Quando vão
ao cabeleireiro, as empregadas até as
tiram”, diz Isabel Monteiro. Impressiona
a velocidade de propagação das
queixas contra a ASAE (Agência de Seguranças
Alimentar e Económica) e o seu director,
António Nunes-que, aos 54 anos, concentra
protestos de Norte a Sul. Em 11 dias, o que
começou com uma conversa de sete amigos
à mesa de uma tasquinha de Alfama transformou-se
numa petição online. No ínicio
de Dezembro tinha mil assinaturas e agora vai
nas 20 mil. O autor do manifesto, Pedro Lourenço,
27 anos, que escreveu sobre “os duvidosos
e obsessivos princípios higiénicos
da ASAE”, não esperava tanta adesão.
“As pessoas, sobretudo no Norte, escreveram-me
emails a dizer que o inspector-geral é
exageradamente dramático”, diz
à SÁBADO.
Nada disto demove António Nunes. “Não
será qualquer campanha dirigida contra
a instituição e muito menos denúncias
anónimas que nos desviaram do nosso caminho”,
garantiu a assessora de imprensa as ASAE, Lurdes
Sousa, esta segunda-feira (12), dois depois
doi CDS-PP ter pedido a demissão do inspector-geral. |
HOUVE
UM ANTÓNIO Nunes em “estado de
graça” e outro em “queda”
desde o início do ano, diz uma fonte
da ASAE. A mudança coincidiu com “a
altura em que começou a fiscalizar a
lei anti-tabaco”- e, azar, foi apanhado
a fumar no Casino Estoril. Aí, as queixas
dos inspectores “com horários terríveis”
começaram a ter eco nos jornais, diz
a mesma fonte. Pior: desencadearam uma greve
às horas extraórdinárias
e a percepção do público
sobre António Nunes mudou drasticamente.
Há ainda aqueles ódios que se
misturam com ressentimentos, são antigos
e crescem com os anos. António Pragal
Colaço não se esquece da humillhação
numa das assembleias gerais mais acesas do Benfica,
quando João Vale e Azevedo era presidente.
“Um apoiante dele disse-me: “Olha
o advogado da treta.” E cuspiu-me para
o cabelo.” O que estava em causa era,
justamente, um dos seus clientes, Pedro Dantas
da Cunha, que acusava Vale e Azevedo de burla
qualificada e falsificação de
documentos. Quando esse e outros casos chegaram
a tribunal, Vale e Azevedo foi detido e os antigos
apoiantes fizeram-lhe esperas e insultaram-no. |
ALGUNS
ODIAVAM-NO há mais tempo. Uma vez, à
saída do freeshop do aeroporto, Vale
e Azevedo, ainda presidente do Benfica, foi
interpelado por uma pessoa que insinuou que
ele tinha feito compras com um cheque sem cobertura.
O dirigente “deu-lhe um estalo”,
conta o adepto Jorge Máximo, que acompanhou
a equipa e o defendeu. “Meti-me à
frente dele, mas só o fiz pelo o Benfica.”
Após 50 audiências, a sentença
do caso Dantas da Cunha foi finalmente lida,
em Outubro de 2006 – Vale e Azevedo foi
condenado a sete anos e meio de prisão
e a pagar 10 milhões de euros de indemnização.
Interpôs recurso, mas não foi aceite.
No dia 8 deste mês, Vale e Azevedo deveria
ter começado a cumprir pena, mas não
apareceu. A SÁBADO tentou falar com o
seu advogado, José António Barreiros,
que esteve incontactável. O advogado
de Dantas da Cunha aguarda, agora, pelo mandado
de detenção. No entanto, os detectives
privados que contratou acabam de lhe dar más
notícias: o arguido deverá estar
em Londres, terá aberto um resort nas
Baamas e dificilmente será extraditado
para Portugal. Por mais anos que passem, Pragal
Colaço nunca perdoará a cuspidela. |
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consulta: |
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Leiria:
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