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ARRUINAR A VIDA EM DIRECTO

O MOMENTO DA VERDADE E OS PROGRAMAS MAIS POLÉMICOS

São 21 perguntas que destroem casamentos, amizades e carreiras. Histórias incríveis de concorrentes que expõem a vida privada e acabam perseguidos, insultados ou à beira do suicídio. Porque é que as pessoas sacrificam tudo pelo dinheiro e pela fama?

Por Dulce Garcia

REVISTA SÁBADO Nº 229 Setembro 2008

 
 

Quem quer entrar no novo programa da Teresa Guilherme, O Momento da Verdade, pode esquecer a sua vida privada. Primeiro, preenche uma ficha com 40 perguntas picantes, como por exemplo: “Sabe o nome de todas as pessoas com quem já dormiu? “Depois, vêm mais 50 perguntas, consideradas um teste de personalidade. Devem ser personalidades estranhas: “Alguma vez andou com mais de uma pessoa?” é uma das questões. Outra: “Já cheirou a roupa interior do seu companheiro?”

Não basta a palavra dos correntes. Eles têm de dar os números de telefone de familiares e amigos, que são depois contactados pelo programa para confirmarem as informações mais íntimas.

E também não basta a palavra destas pessoas próximas. A produção exige saber quais foram os últimos empregos do concorrente e ter o nome e contacto do chefe actual. No local de trabalho, haverá muita coisa a confirmar: o programa sabe qual a relação do concorrente com os seus superiores hierárquicos e quais os colegas adorados e odiados.

E ainda não basta a palavra dos chefes. No final, vem o polígrafo. Quem mostrar ansiedade, suar de mais, ficar inquieto e acusar muitas respostas falsas no detector de mentiras é eliminado.

LUÍS MIGUEL CARVALHO, de 27 anos, não foi eliminado. O primeiro concorrente de O Momento da Verdade contou à produção tudo, ao detalhe, sobre a sua vida privada: que já traiu a companheira, Márcia, mais de 15 vezes; que este ano já pagou para ter sexo com uma prostituta; que fotografou cenas de sexo com outras mulheres para mostrar a sua performance aos amigos; e que não usa preservativo quando tem relações sexuais ocasionais. Fez tudo para conseguir ganhar os 250 mil euros de prémio final.

Márcia Brandão, de 25 anos, também queria o dinheiro. Com o objectivo de abrir um salão de cabeleireiro em Espargo, pequena freguesia de Santa Maria da Feira com cerca de 3 mil habitantes, apoiou o companheiro, com quem tem uma filha, sorrindo a cada resposta embaraçosa.

Quando faltam três perguntas , Luís Miguel Carvalho desistiu. Mas as dezoito repostas, dadas perante 845 mil portugueses, foram suficientes para ganhar 25 mil euros – e para perder Márcia. Anestesiada pelas confissões e pelas luzes, Márcia – um dos três acompanhantes que Luís Miguel levou, além do irmão e do melhor amigo – sorriu e bateu palmas em frente às câmaras. Mas à noite, quando chegou a casa, rebentou. Nos dois dias seguintes, evitou sair à rua. À SÁBADO diz que está arrependida de ter entrado no programa. “Estou farta. Deixem-me em paz, a mim e à minha filha [Beatriz, de 8 anos].” A cabeleireira conta que as pessoas não têm coragem para lhe dizer nada na cara. “Mas os vizinhos olham para mim depois do que viram na televisão”, desabafa, com voz chorosa, confessando que falou duas vezes com um psicólogo desde que se meteu nesta aventura. “Se eu soubesse que ia ser isto, nunca tinha participado. Não estava preparada, nem queria aparecer.”

Piet-Hein Bakker, produtor do programa, diz que a equipa tenta evitar estes problemas. “Se os psicólogos nos dizem que a pessoa não aguenta e que lhe vai fazer mal, eliminamo-la.”

O PERFIL PSICOLÓGICO dos candidatos pode explicar porque é que se sujeitam a estas humilhações. “As pessoas que participam nestes programas sabem, à partida, ao que vão e estão dispostas a expor a sua intimidade, a contar os factos mais chocantes da sua vida, correndo o risco de magoar profundamente os que lhes são mais próximos”, diz o psicólogo Vasco Soares, apontando para algum egocentrismo. “São pessoas com uma personalidade autocentrada, que não se importam com os outros e que fazem tudo para gratificarem. Não sentem empatia nem arrependimento e não conseguem pôr-se no lugar dos outros.” Pelos vistos, há muitos portugueses assim. “Recebemos entre 600 e 900 questionários. Desses, conforme o perfil e a história, seleccionámos entre 150e 200 para o primeiro casting”, diz Piet-Hein, da CBV Produções Televisivas.

 

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