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Saiba
que tipo de progenitor é. |
Pais
há muitos. |
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Educar,
brincar e impor limites ao comportamento dos
filhos são a base de uma paternidade
bem exercida. Mas muitos pais optam apenas por
uma dessas características, tornando-se
bonacheirões, autoritários, ausentes
ou demasiado protectores. |
Por
Rita Caetano
NOVA
GENTE Nº 1487 de 14 Março 2005
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A
figura do pai tem mudado ao longo dos tempos.
Deixou de ter apenas o papel autoritário
que ocupou durante séculos. No núcleo
familiar era tradição ser o homem
a impor as regras e os limites aos filhos.
"Actualmente, continua a ser a referência,
tanto para os filhos - que o vêem como
exemplo a seguir - como para as filhas, que
têm a tendência para ver todos os
homens à imagem do pai. Mas é
também cada vez mais participativo na
educação das crianças ",
esclarece Vasco
Soares, psicoterapeuta e director da empresa
Insight - Psicologia e Recursos Humanos,
sedeada em Lisboa. |
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As
relações entre pais e filhos podem
ter mudado, mas o comportamento dos pais continua
a condicionar o das crianças, seja pela
imitação ou pela oposição.
" é através dos progenitores
que os filhos olham para o mundo que os rodeia,
por isso a educação dada pelos
pais vai reflectir-se no comportamento futuro
dos mais pequenos ", explica
o especialista. A família
é uma referência fundamental para
o desenvolvimento efectivo e emocional dos mais
novos.
Ser um pai ideal não é tão
difícil como se pode pensar.
" Basta que esteja presente na educação
dos filhos e participe nas suas actividades
mas saiba também impor limites ",
afirma o psicoterapeuta. " O pai ideal escolhe
os espaços lúdicos para deixar
que as crianças tomem as suas decisões
", acrescenta.
Tem a capacidade para ser efectivo, mas também
autoritário nos momentos cruciais, nos
quais nem sequer precisa de dar grandes explicações.
" As regras são muito importantes
para as crianças e, como tal, o pior
que se pode fazer é ditar uma e depois
fazer algo que a vai contradizer ", sublinha.
Quanto mais o comportamento do pai for linear
mais segura será a criança. |
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O
pai ideal é também aquele que
reconhece que a educação dos filhos
é um processo de individualização,
dando a autonomia e responsabilidade adequada
a cada fase do crescimento. Deste modo desenvolve
as capacidades que o vão tornar num adulto
responsável.
Dificilmente se encontram dois pais iguais,
contudo há algumas características
que permitem definir alguns deles: os pais galinha,
os bonacheirões, os autoritários
e os ausentes. Nestes sobressai apenas uma das
características apontadas ao pai ideal.
Tornam-se demasiado possessivos, desapegados
ou controladores, o que será pouco positivo
para o todo o agregado familiar.
As
crianças não devem ter todo o
poder, mas também não devem ser
totalmente controladas e protegidas pelos pais.
É importante que desde muito cedo tenham
espaço para manifestar as suas vontades,
que poderão ser ou não aceites.
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Pai
autoritário |
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São
cada vez menos dominantes nas estruturas familiares
actuais. A educação que dão
aos filhos é baseada apenas em regras
rígidas " esquecem-se da parte afectiva,
não dão atenção
nem carinho aos filhos ", assegura
Vasco Soares. São muito
racionais, nem sequer dão explicações
para a sua actuação. " Muitos
destes homens têm comportamentos diferentes
fora de casa, sofrendo também eles nas
mãos de pessoas autoritárias ",
afirma o director
da Insight. Nestas situações
é frequente os filhos sentirem-se reprimidos.
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Pai
Galinha |
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Neste
perfil incluem-se os super protectores, aqueles
que definem regras para protegerem os descendentes
dos perigos externos. Preocupam-se me demasia
com os filhos e não deixam espaço
para que aqueles possam manifestar as suas vontades.
" Não são severos, são
os chamados pais funcionais, isto é,
aqueles que querem o melhor para os filhos em
todos os campos. Obrigam-nos a fazer determinadas
coisas porque acham que é o melhor para
eles e impedem outras actividades porque as
consideram perigosas ", realça
Vasco Soares. Este comportamento
impede que as crianças conheçam
os verdadeiros perigos e cresçam de forma
independente. " Apesar de já haver
pais assim, este é um papel que ainda
pertence maioritariamente à mãe
", diz o
psicoterapeuta. |
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Pai
Bonacheirão |
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Mais
do que pai, considera-se amigo dos filhos. Para
o director da Insight, este é o pai,
que " quer participar na vida dos filhos
activamente, o que muitas vezes o leva a omitir
regras básicas de comportamento ".
Fazem todas as vontades dos descendentes por
não ter autoridade para dizer não.
Muitos pais divorciados são deste tipo,
" para compensar o pouco tempo que passam
com os filhos fazem todas as suas vontades ",
sustenta. " O comportamento destes pais
tem consequências muito negativas no futuro
dos mais novos, que quando começam a
ser contrariados e castigados constatam que
viveram num mundo irreal ", lembra
Vasco Soares. |
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Pai
Ausente |
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"
Podem ser de dois tipos: aqueles que vivem
afastados dos filhos ou os que, apesar de habitarem
na mesma casa não têm tempo para
eles ", afirma o psicoterapeuta. Vivem
desligados da vida dos descendentes. Segundo
Vasco Soares, " delegam
nas mães e nas instituições
a educação dos filhos, por questões
profissionais ou devido à própria
personalidade e pouca aptidão para desempenhar
o papel de pai ", acrescenta. Os laços
familiares são débeis e os pais
esquecem-se que o facto de os filhos tentarem
chamara a atenção, pela positiva
ou pela negativa, pode significar falta de afecto.
" Para algumas crianças, ouvir ralhar
é apenas uma forma de terem a atenção
desejada ", esclarece
o especialista. |
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