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| Anorexia |
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Quando
comer deixa de ser um acto quotidiano e rotineiro
e passa a ser um pesadelo. Quando as contar
calorias que se ingere é a única
preocupação que nos atormenta
dia e noite. Quando o almoço e o jantar
se resumem a uma maça e um iogurte. Quando
isto acontece é sinal que algo está
mal… |
Por
Andreia Vicente
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IN Nº 14 de Setembro 2005
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Consultoria
Técnica INSIGHT-Psicologia |
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Os
estereótipos de beleza impostos pela
sociedade levaram a uma excessiva preocupação
com o corpo. O lema grego «corpo são
em mente sã» passou à história
e outros valores menos altos se levantam: ficar
magra a qualquer preço. Com o tempo,
deixa de ser apenas uma preocupaçãozita
em evitar açucares e gorduras, para se
tornar uma obsessão.
De acordo com os dados estatísticos mundiais,
entre 0.5 a 1% da população feminina
sofre de anorexia. Este distúrbio do
comportamento alimentare pode
levar à morte, sendo mesmo considerada
a única doença de foro psicológico
mortal. O quotidiano de um anoréctico
transforma-se completamente: a comida passa
a ser vista com desconfiança e há
uma preocupação constante com
tudo o que se ingere. O dia-a-dia passa a ser
organizado em função dessa preocupação,
estabelecendo-se com a comida uma relação
de amor-ódio. A nível familiar
as relações tornam-se tensas e
desgastam-se à medida que os parentes
aumentam a vigilância e o doente tenta
encontrar maneiras de fugir a esse controlo,
para conseguir baixar o peso sem que os outros
se apercebam de que come pouco. Em geral, a
fase aguda desta doença dá-se
na adolescência, Existem, porém,
algumas características pessoais e de
personalidade que privilegiam o desenvolvimento
da anorexia: dificuldade em lidar com mudanças
de puberdade, baixa auto-estima ou mau relacionamento
com o ambiente familiar. |
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Sintomas
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Emagrecimento geral;
*
Diminuição deliberada da ingestão
de alimentos;
*
Distorção da imagem corporal (nunca
se acham magras (os));
*
Prática compulsiva de exercício
físico e actividade excessiva;
*
Poucas horas de sono. |
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Tratamentos
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Dependendo
do estado de debilidade física em que
se encontram, muitos destes doentes têm
de ser internados. É então imprescindível
procurar um nutricionista para o reeducar a
comer e ter acompanhamento psicológico.
Psicoterapia é essencial
para conseguir voltar a fazer uma vida normal
sem ter recaídas. |
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Testemunho
Raquel: 30 anos
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“
Tinha 17 anos e achava-me demasiado gorda, media
1,57m e pesava 57 quilos. Na altura nunca pensei
em consultar um nutricionista, porque achava
que teria apenas de deixar de comer doces e
hidratos de carbono em excesso. Mas a situação
começou a piorar porque, na verdade,
deixei, praticamente, de comer. No início
foi difícil, não estava habituada
a comer tão pouco, mas como os resultados
começaram a aparecer continuei. Daí
para a frente foi sempre a diminuir, ao ponto
de comer uma maça e um iogurte por dia,
aliados a muitas horas de ginásio e com
laxantes à mistura. Passava 24 horas
a pensar em comida e sentia-me orgulhosa por
chegar ao fim do dia e ter conseguido comer
o mínimo. Os resultados eram visíveis:
passei dos 57 quilos para os 44 e cheguei mesmo
a pesar 42.
O meu humor passou a ser instável: tão
depressa estava a rir como de repente chorava.
Deixei de ter um ar saudável, as unhas
começaram a ficar brancas, o cabelo caía,
a minha pele estava macilenta e muitas vezes
nem conseguia estar de pé. Passado um
tempo descobri que podia comer sem engordar,
ou seja, vomitando. Sempre que alguém
me obrigava a comer ou tinha ataques de fome
aos quais não conseguia resistir, vomitava.
Tornou-se um ciclo vicioso. Dei cabo dos dentes,
fiquei com uma úlcera no estômago
e destruí a minha flora intestinal com
laxantes. Ao fim de seis anos decidi ir ao médico
para me ensinara comer.
Se estou curada?
Gostava de dizer que sim… mas acho que isto
não tem cura. Hoje sei controlar o que
como mas penso sempre antes. Tudo o que como
é magro ou light e não ingiro
nada sem ver quantas calorias tem. Ainda hoje
sempre que como demais a primeira coisa que
me ocorre é vomitar. Faço um grande
esforço para não o fazer. Por
isso como à base de fruta, iogurtes,
cereais e legumes e faço muito desporto.
Não como doces nem gorduras. Tenho 30
anos e peso 48 quilos e ainda hoje penso 24
horas em comida. É inevitável.”
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