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Amor
no escritório |
Como
se comportam as empresas quando a seta do Cúpido,
acerta em cheio, por exemplo, num director-geral
e na sua directora financeira? |
Texto:
Ana Rute Silva
EXAME
Nº 225 de Julho 2005 |
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Foi
a decisão mais difícil que teve
de tomar. Num dos pratos da balança estava
o emprego da sua vida numa grande empresa de
origem norte-americana. No outro, a relação
amorosa com o director-geral. Cláudia
(nome fictício) teve de escolher entre
o cargo de directora financeira e um amor que
nasceu no escritório. Optou pela segunda
hipótese. "Não escondo que foi
com algum sacrifício pessoal. A vida
é feita de escolhas", observa. A protecção
da identidade é justificada pela reserva
da vida privada do actual marido, que se mantém
à frente dos destinos da empresa, e de
quem já tem um filho. |
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Quando
decidiram assumir a relação, deram
o primeiro passo para a saída de Cláudia.
É que, apesar de não haver uma
regra escrita que limitasse as relações
amorosas entre colaboradores, era ponto assente
que a convivência directa, entre os dois
não era benéfica para a organização.
"Eu achava que a minha saída era inevitável.
Quando tornamos o caso público, sabíamos
que era uma empresa norte-americana e o que
isso implicava. Eu reportava directamente a
ele e não podia simplesmente mudar de
departamento. Afinal era a directora financeira",
recorda.
Mesmo "totalmente apaixonada pela empresa",
Cláudia escolheu ficar com a pessoa com
quem, antes, partilhava responsabilidades. Foi
o próprio director-geral que deu conhecimento
do caso, surpreendendo os colegas no escritório.
A saída foi apoiada pela organização,
que ajudou Cláudia a encontrar trabalho.
Nunca lhe pediram para ficar, apesar das competências
profissionais que sempre demonstrou ter. |
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Relação
Transparente |
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Á
medida que recorda a história, Cláudia
confessa que tem saudades do anterior emprego,
onde os horizontes profissionais se alargavam,
à medida que o investimento pessoal aumentava.
Nesses longos dias de trabalho, muitas horas
de dedicação, sem tempo para reforçar
laços com o exterior, o amor nasceu.
"Tínhamos a mesma paixão pela
empresa, o mesmo olhar, a mesma visão.
Adorava trabalhar com ele e penso que foi por
isso que nos apaixonámos."
Parece lugar comum, mas é inevitável.
Nos corredores de uma grande empresa cruzam-se
centenas de colaboradores. Trocam-se olhares,
partilham-se momentos intensos na vida da organização
e nascem paixões. Um inquérito
da American Management Association a 485 gestores
concluiu que 80% já estiveram envolvidos
nalgum tipo de relação com um
colega. Metade confessou que essa afinidade
resultou em casamento.
Shere Hite, autora do livro Sexo e Negócios
"editora Vida Económica", estudou
as relações amorosas em 10 grandes
empresas norte-americanas e concluiu que 62%
das mulheres inquiridas já se relacionaram
com alguém do escritório. Na altura
em que realizou a investigação,
42% dos entrevistados mantinham uma relação
com um colega e 35% escondiam-na. |
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Vasco
Soares, psicólogo da Insight - Psicologia
e Recursos Humanos, acredita
que o amor à primeira vista é
uma excepção. "Se estão
em permanente contacto, a proximidade faz o
ser humano apaixonar-se. É um factor
essencial para o amor nascer", sublinha. Nuno
Fraga, da Hire and Trust, partilha da mesma
opinião. "A questão das relações
amorosas entre colaboradores da mesma empresa
ganhou maior relevo nos últimos anos.
Esta situação não pode
ser dissociada do facto de, cada vez mais, as
pessoas passarem uma percentagem maior do seu
tempo nas organizações." Nuno
Fraga acrescenta que subsiste "alguma dificuldade
em gerir a vida pessoal e profissional e, como
tal, há uma tendência maior para
existirem relações entre quadros
da mesma empresa". |
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