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Estimular o Optimismo:
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As
emoções positivas como factores
de protecção da Saúde |
"As
pesquisas na área da psicoimunologia
têm vindo a mostrar que as emoções
negativas como a ansiedade reflectem um decréscimo
na eficácia no sistema imunitário,
(.) o que aumenta a predisposição
para o desenvolvimento de doenças oncológicas,
cardiovasculares, e outras"
in, Kiecolt-Glaser, J.K., 1999 citado em
Monteiro, Eduardo, 2002, pp.6 |
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A
relação entre emoções
e saúde é antiga. Já Galeno,
no séc. II a.C. afirmava que as mulheres
melancólicas eram mais susceptíveis
de desenvolver cancro na mama do que as mulheres
sanguíneas (personalidade de tipo melancólicas
ou sanguíneas fazem parte duma classificação
dos temperamentos humanos, segundo as suas características
emocionais, dos primórdios da psicologia,
já em desuso nos dias de hoje). Portanto
a ideia de que as emoções surtem
impactos na saúde já vem da antiguidade,
tendo vindo a revelar-se uma área de
grande investigação na actualidade,
especialmente pelo facto de o paradigma bio-médico
não conseguir dar uma resposta definitiva
quanto à forma de eclosão e desenvolvimento
de doenças como o cancro. Por outro lado,
têm vindo a surgir estudos científicos
conceituados e rigorosos á cerca das
influências e impactos de alguns aspectos
psicológicos em doenças cardiovasculares
e no cancro. Tal como os estudos dos investigadores
médicos não têm sido conclusivos,
ainda persistem algumas dúvidas nas investigações
dos psicólogos, mas, no entanto, já
é possível afirmar, com um grande
nível de certeza, que factores psicológicos
como a tristeza, ansiedade, optimismo e felicidade
(entre outros) influenciam a saúde física
humana. |
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Sabendo
que, de facto, as emoções surtem
o seu efeito no organismo e na qualidade de
vida das pessoas, parece ser importante que,
de uma forma preventiva, a comunidade estimule
no seu quotidiano um estilo de vida positivo,
bem como, cultive as emoções positivas,
até porque, da mesma forma que as emoções
negativas (tristeza, ansiedade, raiva, etc.)
podem facilitar o desenvolvimento de doenças
crónicas, as emoções positivas
(felicidade, optimismo, contentamento, etc.)
podem ser considerados como factores de protecção
contra as doenças, uma vez que, de uma
forma complexa, fortalecem o sistema imunitário
(sistema responsável pela protecção
do organismo contra qualquer fenómeno
estranho ao mesmo). |
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O
optimismo surge, neste contexto, como uma das
mais importantes emoções positivas,
uma vez que, medeia as experiências de
um indivíduo e as interpretações
que o mesmo faz dessas tais experiências.
Ou seja, o optimismo/pessimismo funciona como
uns óculos, segundo os quais, a pessoa
vê a vida colorida ou vê a vida
negra. |
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Em
termos práticos, pode-se dizer que, não
é por achar que a vida é difícil,
ou que não vale a pena lutar porque "eles
comem tudo", que se tem maior tendência
a ficar doente. Agora, se este pessimismo leva
a estados emocionais angustiantes, ansiosos,
ou de raiva, de uma forma consistente e constante,
o sistema imunitário é fragilizado,
porque todo o organismo se encontra focalizado
na ameaça que constitui a vida exterior,
tomando-se mais vulnerável à doença.
Imagine-se, a este respeito, um cão que
se sente ameaçado. Todo o seu corpo modifica
a sua postura e atitude (corpo retesado, pronto
para atacar ou fugir; levanta as orelhas, abre
bem os olhos, afina o faro, de forma a estar
vigilante a tudo o que o rodeia), bem como,
o organismo se prepara para reagir (a nível
hormonal, por exemplo, os níveis de adrenalina
modificam-se, de forma a permitir uma reacção
imediata). Não podendo responder a todas
as ameaças ao mesmo tempo, a postura,
a "atitude", e o organismo do cão
focaliza-se todo na ameaça exterior,
considerada, no momento, como a mais perigosa
para a sobrevivência, e descura os processos
internos, de forma que o corpo fica vulnerável
a outras ameaças, consideradas menos
perigosas.
Com os humanos, o processo é parecido.
Quando nos sentimos ameaçados, muitas
necessidades são postas de lado,
de forma a que nos possamos focalizar nessa
mesma ameaça, permitindo, consequentemente,
uma resposta mais adequada.
No entanto, esta postura pessimista de que poderá
sempre algo de mal acontecer, tomada como
constante no quotidiano, revela-se, muitas vezes,
exagerada, acumulando grandes quantidades de
tensão e, menos saudável ainda,
toma-se uma característica permanente
no comportamento da pessoa, favorecendo, como
já foi referido, a fragilidade do sistema
imunitário. Assiste-se, portanto,
a uma degradação da qualidade
de vida, que impede a pessoa de apreciar a vida.
Uma forma de evitar e prevenir toda esta situação
comprometedora da qualidade de vida e da saúde
de muitas pessoas, é, precisamente, a
estimulação de emoções
positivas, nomeadamente, o optimismo.
Considera-se que o optimismo é constituído
por três elementos fundamentais (Seligman,
1995): o controlo, ou seja, a pessoa tem capacidade
para sentir que pode controlar diversos aspectos
da sua vida, não se concebendo como um
ser apático á mercê da decisão
dos outros, ou das artimanhas dos deuses. Sente
no fundo, que a sua vida é resultado
das suas decisões, e não de uma
predestinação trágica.
Outra característica é a chamada
positividade, que se prende com o posicionamento
positivo relativamente aos diversos acontecimentos,
ou seja, a pessoa tem capacidade de, para além
de compreender os aspectos negativos de uma
situação, perspectivar a mesma
situação de uma forma positiva.
A sua vida é resultado das suas decisões,
sendo que, as coisas têm sempre aspectos
negativos e, principalmente, positivos. Finalmente,
outra característica, que se prende com
a anterior, é o estilo explicativo, que
é a forma habitual da pessoa explicar
os acontecimentos adversos que lhe surgem. São
três, as qualidades desta últi
ma característica: permanência
- os optimistas perspectivam os acontecimentos
adversos como temporários, e não,
como eternos; perseverança - os optimistas
perspectivam o fracasso como específico
de uma situação e, não
tanto, como generalizável a toda a pessoa;
e personalização - os optimistas
acreditam que não são culpados
pelos seus fracassos, concebendo estes como
resultado das circunstâncias.
Obviamente que ser optimista não cura
todos os males. De facto, parece que o contributo
do optimismo não é tanto o de
curar, mas sim, o de desenvolver os potenciais
humanos, através de uma maior abertura
emocional para construir outras emoções
e formas de resposta às diversas exigências
do meio.
Assim, em forma de resumo e conclusão
deste artigo, pode-se dizer que as emoções
negativas diminuem a nossa capacidade de pensamento
e de acção (em todas as suas dimensões
macro e micro), uma vez que chamam à
mente e ao corpo as reacções adaptativas
dos nossos antepassados representadas por
tendências de acção específicas.
Claro que este efeito é adequado em situações
de ameaça à sobrevivência.
Uma vez que as emoções positivas
não estão ligadas às ameaças
que requeiram acções rápidas,
estas aumentam o repertório de pensamento
e acção de uma pessoa, que se
caracteriza por toda uma exploração
da envolvente, bem como das capacidades dessa
pessoa, o que resultará num aumento de
recursos individuais. |
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Para
duvidas e/ou observações:
Eduardomonteiro@insight.pt |
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