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Compulsões

Por Dr. Vasco Catarino Soares

CLICK IN Nº 14 de Setembro 2005
 

 

Actualmente a forma como se expressam as compulsões é diferente de outras épocas. Assumem-se caras novas que bebem na cultura actual. Há sempre, em qualquer tipo de perturbação de comportamento humano, uma parte que é dependente da cultura em que vivemos. Não enlouquecemos da maneira que escolhemos, a cultura previu tudo. A sociedade fornece a quem “enlouquece” modelos de inconduta: depressão (coisas negativas na vida actual + a nossa fragilidade); ansiedade (muita agitação); compra compulsiva (muita coisa para comprar + publicidade + status); anorexia (padrões de beleza). No passado, a cultura era outra e as formas de expressão das perturbações seria um pouco diferente. Nos anos 60, encontrou-se uma sociedade (Malásia) em que existia uma forma curiosa de compulsão – o amok -, em que os sujeitos corriam compulsivamente, sem parar durante horas, de cabeça em riste massacrando tudo à sua passagem – permitido, apenas, a quem sofresse stress brutal.
Porém, a este contexto exterior temos de juntas as coisas de foro íntimo, da vida emocional, dado ser daqui que nascem as compulsões; o exterior apenas lhes dá forma.
O início do que se poderá transformar, anos mais tarde, num comportamento compulsivo (qualquer que seja o seu género) pode começar como um acto normal (preencher de afecto o nosso “interior”); uma boa resposta aos fantasmas que insistem em acinzentar a nossa mente.
Para uns não passará disso mesmo: uma solução viável que apazigua a ansiedade sentida. Estão a ver o género: uma espécie de Sílvia compradora de sapatos, que “enxuga” dois ou três pares num movimento de cartão de crédito, e depois chega a casa e esconde-os para não os ver; um Amílcar arrumado, de patilha aparada, que obriga os amigos a limpar os pés e sacudir as roupas antes de entrarem no seu cabriolet (60 prestações); ou uma Marineide tipo sobrevivente-a-dois-divórcios-trocada-por-miúda-passarele, que, ao aproximar o Verão, urge nas dietas de fome e personal trainer a tiracolo. Podemos ler nestes comportamentos uma procura de equilíbrio, que vai dando para o gasto, sem que se possa falar de uma compulsão mórbida ou doentia, pois não impede o normal curso de vida e até resulta em bem-estar e ansiedade compensada.
No outro lado, temos o que é verdadeiramente dramático: a compulsão que enterra, a que é intensa e insaciável. Por mais Sílvia que se seja, por mais Amílcar ou Marineide ao cubo, nunca deixa alcançar o alívio da ansiedade nem o bem-estar procurados.
Âmago da questão? È que as compulsões só se realizam para acabar coma a ansiedade. No entanto, traição maldita!, nestes casos não é isso que acontece. Acabam por trazer mais angústia, mais premência de se continuar. É como receber uma chamada do estrangeiro, de conhecidos em férias, entusiasmamo-nos logo, tomando aquela viagem como nossa. Depois no fim, ao desligarmos, reparamos que não saímos do mesmo sítio nem vimos coisa alguma e as férias perderam o seu valor como divertimento. Ainda por cima, temos de pagar parte do serviço de roaming.

 

Lic. Psicologia Clínica: Pós-graduções: -Consulta psicológica e Psicoterapia:
-Neuropsicologia Clínica Doutorado em Neuropsicologia Clínica - Universidade de Salamanca Docente Universitário

 
 
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